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Sobre a minha avó e o vagonite

recife há um tempo que tem sido outro. ao meu olhar viciado e habitual de uma quase eterna moradora tem se somado um estranhamento vindo da distância de quem cresceu para a cidade e de quem interrompeu a constância. mas por esses dias ouvi a palavra ‘vagonite’ e fui diretamente lançada aos meus cinco anos de idade. estava numa banca de jornal do bairro da imbiribeira, com a minha avó. cena tantas vezes repetida. vagonite então é passaporte. nunca mais tinha dito vagonite; não se faz vagonite em são paulo, pensei. exercitei e abri para a minha avó quais eram as chaves que eu associava a ela — e a um nós que eu não sabia que tinha como resgatar. e é da memória que seja algo duma melancólica alegria. hoje, no centro (ou na ‘cidade’), enquanto refazíamos os nossos caminhos com outros passos, eu fiz um retrato dela. uma parcela que o olhar retém para a imediata associação. e é bom que tudo siga ainda desse jeito, tão colorido. que seja sempre.


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